quarta-feira, 11 de novembro de 2009

16ª Fest Comix





Sei que algumas pessoas irão dizer: nossa, só agora?
Pois é, só agora. Mas, antes tarde do que nunca, não é mesmo?
Visitei a Fest Comix e, senhores, fiquei muito impressionado com a grande circulação de pessoas naquele lugar. O brasileiro já não parece mais tão displicente no que diz respeito à leitura. Acredito que, pelo volume de visitantes (e de vendas, já que havia uma fila imensa para fazer o pagamento), o encontro deva ter sido um sucesso absoluto! Ponto positivo!
Outro fator que despertou muito minha atenção foi o grande número de crianças acompanhadas de seus pais. Como educador, sinto-me honrado e orgulhoso dos pais modernos que -na contramão das estatíscas- se preocupam mais com a educação de seus filhos, e melhor, participam dela. Vi pais com camisetas estampadas com mangás e filhos trajando “Calvin”, uma excitante mistura de gerações culturais. Me lembrou o refrão daquela música do D2: “Eu me desenvolvo e evoluo com meu filho, eu me desenvolvo e evoluo com meu pai...”. Não levei o meu pequeno porque ele não estava bem no dia, ficou para 2010.
A grande estrela do evento, segundo o que pude apurar, foi a graphic novel “Nova York”, do já falecido Will Eisner. O pessoal da Companhia das Letras não dava conta de preencher o espaço deixado pelos leitores que disputavam as edições repostas.
Editoras independentes apresentavam seu casting de artistas. Vi muita coisa boa e acredito que a HQ brasileira está muito bem traçada, ou melhor, representada.
Outro ponto muito positivo foi o desconto dado pelas editoras, que chegava a até 30% do preço de capa e o parcelamento em 3 vezes no cartão. Parabéns à rapaziada que organizou.
Tive ainda a felicidade de encontrar o professor Waldomiro Vergueiro da USP, um grande pesquisador dos quadrinhos. Comprei o livro “Muito Além dos Quadrinhos: análises e reflexões sobre a 9ª arte”, organizado por ele e pelo o professor Paulo Ramos, publicado pela editora Devir. A publicação é um excelente conjunto de artigos acadêmicos sobre pesquisas em história em quadrinhos. Indispensável para quem quer saber mais sobre essa arte ou deseja iniciar uma pesquisa na área.
Fiquem atentos para o próximo ano, principalmente aqueles que nunca foram, é um ótimo programa para ir com a família, com os amigos ou mesmo para os solitários.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Quadrinhos e literatura: ser ou não ser?



O que é literatura? Para o professor Vítor Manuel de Aguiar a literatura é uma “atividade artística que, sob multiformes modulações, tem exprimido e continua a exprimir, a alegria e a angústia, as certezas e os enigmas do homem. (...) E assim há de continuar as ser com os escritores de amanhã. Apenas variará o tempo e o modo.” (IN: LAJOLO 7-8).
Pensando nesse comentário é que propomos levantar, mais uma vez, o debate: quadrinhos são ou não literatura?
O sentido da palavra clássicos, segundo LAJOLO – 1985, está relacionado ao ensino de obras literárias nas classes escolares. Antigamente aprendia-se gramática, por exemplo, por meio de Os Lusíadas, Ilíada, Eneida etc, por isso clássicos, ou seja, da classe.
Hoje vivenciamos a era digital. Todos os textos que circulam na Internet estão rodeados, ancorados por inúmeras imagens que, na opinião do quadrinista Will Eisner, ajudam o cérebro na produção de sentido, uma vez que esse órgão compreende primeiro as imagens e as traduz em palavras. Os quadrinhos já faziam isso uma meia década antes do advento da rede.
Distribua, numa sala de aula, vários livros e entre eles alguns quadrinhos e observe qual chamará primeiro a atenção dos estudantes; parece óbvio. Mesmo que não leiam, os quadrinhos serão os primeiros a serem folheados.
Quem nunca se pegou saboreando as páginas da turma da Mônica, Pato Donald ou não sonhou escalar as paredes como o Homem-Aranha, ou voar de um mundo a outro em segundos como o Super-Homem? Muitos que leem este texto agora, de uma forma ou de outra, tiveram contato com os quadrinhos ou até mesmo tiveram suas primeiras experiências de alfabetização com eles, como foi o meu caso. Algum conservador de plantão diria: quadrinhos é coisa de criança! Pegaria seu jornal e riria com aquela charge que faz uma crítica ácida a algum fato político da semana e para relaxar, leria - escondidamente, é claro - as tirinhas que costumam ser publicadas no seu jornal diariamente. Tirinhas essas que acabam virando livros, como as de Fernando Gonsales e seu implacável Níquel Náusea, que está na área desde os anos 80. Essas mesmas tirinhas chegaram a importantes vestibulares como os da FUVEST, UNICAMP, UERJ etc.
Pergunta-se: por que então as histórias em quadrinhos não são, por muitos, consideradas uma forma de literatura? Ora, se os clássicos são aqueles que permeiam as classes, os quadrinhos já o são há bons anos, e, portanto, são literatura e das boas, porque até o cinema, a sétima arte, já adaptou várias dessas histórias para as telas, cujos recordes de bilheteria causam estardalhaço, veja Cavaleiro das Trevas, Homem–Aranha (I,II, e III) e mais recentemente Watchmen.
As Graphic Novels, ou romances gráficos são considerados os grandes responsáveis por dar um novo formato aos quadrinhos com seus temas adultos. Artistas como Will Eisner, Robert Crumb, Craig Thompson, Frank Miller, Art Spiegelman entre outros, publicaram histórias que ficaram conhecidas por todo o mundo. Aqui no Brasil, também, temos bons representantes dessa arte, nomes como o de Lourenço Mutarelli, Marcatti, Wander Antunes etc, fazem com que os quadrinhos de temas adultos ganhem contornos nacionais.
A cena brasileira ainda vive no underground, atingindo pequenos grupos, o que é, a meu ver, lamentável, uma vez que o grande público deve ter contato com todo tipo de arte. Acredito que essa inércia das graphic novels em nosso país deva-se a esse preconceito em relação a essas obras, contudo, grandes editoras como a Companhia das Letras, tem aberto suas portas para os quadrinhos, e isso é um saldo positivo.
Mas quando falamos em escola, é preciso haver o bom senso de que algumas dessas publicações não são adequadas a esse ambiente, porém, o acesso a elas deve ser permitido de alguma forma, porque falamos em arte.
Devemos repensar o ensino de literatura e os quadrinhos, para que possamos ser justos na hora de abordar questões como a que ora propomos neste espaço e não deixarmos passar despercebido um momento tão fecundo do despertar à leitura, independentemente do formato que ela venha apresentar. Sentem-se em suas poltronas, apertem os cintos, abram seus quadrinhos e preparem-se para viajarmos por mares nunca d’antes navegados!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Poesia...

Depois de muito refletir com o assunto, parece-me que um historiador deve também e necessariamente ser poeta, pois somente os poetas podem entender essa arte que consiste em ligar os fatos com habilidade.
(Novalis)

O historiador e o poeta não se distinguem um do outro, pelo fato de o primeiro escrever em prosa e o segundo em verso (pois, se a obra de Herodoto fora composta em verso, nem por isso deixaria de ser obra de história, figurando ou não o metro nela). Diferem entre si, porque um escreveu o que aconteceu e o outro o que poderia ter acontecido. Por tal motivo a poesia é mais filosófica e de caráter mais elevado que a história, porque a poesia permanece no universal e a história estuda apenas o particular.
(Aristóteles)

Prosa são palavras na melhor ordem possível; poesia são as melhores palavras possíveis na melhor ordem possível.
(Coleridge)


Contemplo como o igual dos próprios deuses
esse homem que sentado à tua frente
escuta assim de perto quando falas
com tal doçura,e ris cheia de graça.
Mal te vejo o coração se agita no meu peito,
do fundo da garganta já não saia minha voz,
a língua como que se parte,
corre um tênue fogo sob a minha pele,
os olhos deixam de enxergar,
os meus ouvidos zumbem,
e banho-me de suor,
e tremo toda,e logo fico verde
como as ervas, e pouco falta
para que eu não morra ou enlouqueça.

A grega Safo foi a primeira poetisa ocidental de grande expressão entre os homens. Ensinava a arte poética para as mulheres na ilha de Lesbos, já que havia uma grande repressão social em relação à mulher, originando o uso da palavra lésbica. Mesmo depois de séculos, na sociedade renascentista italiana, esse preconceito ainda permanecia, sob uma nova face: as mulheres solteiras que não eram reconhecidas por suas criações artísticas eram vistas como prostitutas. Assim, restavam apenas duas opções, casar-se ou pertencer ao mundo artístico. Não é de se espantar, já que, embora as recentes lutas feministas ocorridas há quatro décadas tenha modificado muito a condição social da mulher, ainda perduram vários preconceitos sociais, ainda que velados.

Bendito seja o dia, o mês, o ano (Benedetto sia 'l giorno, e 'l mese e l'anno)
A sazão, o lugar, a hora, o momento (a la stagione, e 'l tempo, e l'ora, e 'l punto)
E o país de meu doce encantamento (e 'l bel paese, e 'l loco ov'io fui giunto)
Aos seus olhos de lume soberano (da' duo begli occhi, che legato m'hanno)

E bendito o primeiro doce afano (e benedetto il primo dolce affano)
Que tive ao ter de amor conhecimento (ch'i' ebbi ad esser con Amor congiunto)
E o arco e a seta a que devo o ferimento (e l'arco, e le saette ond'i' fui punto)
Aberta a chaga em fraco peito humano (e le piaghe che 'n fin al cor mi vanno)

Bendito seja o mísero lamento (Benedette le voci tante ch'io)
Que pela terra em vão hei dispersado (chiamando il nome de mia donna ho sparte)
E o desejo e o suspiro e o sofrimento (e i sospiri, e le lagrime, e 'l desio)

Bendito seja o canto sublimado (e benedette sian tutte le carte)
Que a celebra e também meu pensamento (ov'io fama l'acquisto, e 'l pensier mio)
Que na terra não tem outro cuidado (ch'è sol dilei, si ch'altra non v'ha parte)

Petrarca: Poemas de Amor (tradução de Jamir Almansur Haddad)

* Francesco Petrarca constitui, ao lado de Dante e Boccaccio, a tríade da literatura ocidental moderna. Humanista, teve em Laura a inspiração (e expressão) de um amor real, muita mais que a Beatriz de Dante (embora real, idealizada no campo poético), aparecendo em sua expressão poética as consequências desse estado de alma. A triade italiana influenciou os artistas renascentistas e, a partir de então, toda a cultura ocidental.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

A função do Coro na Tragédia Grega

Texto baseado na fala do Prof. Antonio Medina Rodrigues, professor de Língua e Literatura Grega da USP, tradutor, ensaísta e poeta, durante palestra do dia 28 de setembro de 2009, no espaço do SESI/Paulista.

A tragédia grega é um dos gêneros mais nobres do teatro, o que acumula mais sabedoria, dada sua tradição. Etimologicamente remete ao canto do bode (sacrifício), ato que era assistido por pessoas que se colocavam num raio circular de 10 m2. Aqueles que ficavam fora do círculo, sentavam-se sobre pedras ou se encostavam nas rochas, caracterizando os momentos primórdios do cenário atual.
O sacrifício do bode era uma analogia ao massacre de Dionísio, originário da Ásia, Deus carregado por um lado irracional e impulsivo, oposto à Apolo (sec. XVIII e XVII a.C.)
O teatro se iniciou com um único personagem em cena, passando para dois e para três (Eurípides: coro). Assim, a constituição do homem se marca pelo número três, e não o dois (aliás, número em torno do qual se constrói toda a obra Divina Comédia, de Dante Alighieri)
Quando surge o coro, sua manifestação se dá pela fala, pela dança e pelo canto (parte poética do teatro grego é cantada), passando, com o tempo, a contar com doze atores (em dois grupos de seis). Naturalmente, com a evolução dos textos teatrais, muda também a função do coro. Sua finalidade inicial era a de alegrar o espetáculo teatral falado, posteriormente, passa a ter um papel narrativo.

O Coro nas peças (diferentes funções):
- ORESTES: quase não possui o coro (não tinha papel na peça), contudo, foi a principal peça grega depois de Édipo Rei (onde o coro lamenta a situação da cidade).
- AS BACANTES (Eurípides): uma presença marcante do coro, narrando a estória de milhares de mulheres (mênades) embriagadas pelo Deus Dionísio. A função do coro nesta peça era a representação da vontade popular a caminho da contestação do poder.
- PROMETEU ACORRENTADO: presença de um coro de mulheres (oceaninas), filhas do Deus Oceano, que lamentam a situação de Prometeu.
- ÉDIPO EM COLONO: o coro é agressivo, ataca Édipo (já em idade avançada) como um assassino.
- MEDEIA: o coro é pobre, pois com Medeia não há diálogo, já que sua fala é pré-concebida e fechada. FEDRA acentua a loucura de Medeia, representante de um completo descontrole da alma.
- OS SETE CONTRA TEBAS: o coro tem a função de resolver dilemas de sangue (os dois filhos de Édipo não se suportam, um termina por matar o outro).

O principal tema do coro era o esfacelamento das cidades, aliás, esse tema era o grande terror do povo grego. O coro fala de temas elevados, quando há a necessidade de uma linguagem baixa, um personagem (Corifeu) sai do coro para fazê-lo. Aristóteles considerou a importância da catarse para o público, assim, a peça deveria causar o horror e a piedade, para que os sentimentos fossem purificados.
Ésquilo, Eurípedes e Sófocles são os principais escritores da tragédia grega, sendo Aristófanes o maior comediógrafo. No mundo ocidental moderno, William Shakespeare é o grande nome do teatro, tendo escrito, entre outras peças, Hamlet, Otelo e Macbeth. Na França, Racine e Molierè prosseguiram com a tradição teatral.

ÉDIPO REI:
CORO: Ai de nós, sem conta são nossos sofrimentos! O povo doente, impotente o nosso espírito, fenecem os frutos da terra e as mães gemem estéreis; vidas a irem-se embora, como pássaros leves, mais céleres que o raio vibrado pelos céus, para os confins da noite...
Despojada de seus filhos, a cidade perece, e, sem quem os vele e sem uma única lágrima, jazem os corpos pelo chão, espalhando o contágio; as viúvas e as mães encanecidas, nos degraus dos altares, enchem os ares de lamentos pungentes por tanta desventura, a que se fundem lúgubres cânticos. Dileta filha dourada de Zeus, envia-nos teu auxílio!

sábado, 26 de setembro de 2009

A Literatura em Perigo (Tveztan Todorov)

Hoje, se me pergunto por que amo a literatura, a resposta que me vem à cabeça é: porque ela me ajuda a viver. Não é mais o caso de pedir a ela, como ocorria na adolescência, que me preservasse das feridas que eu poderia sofrer nos encontros com pessoas reais; em lugar de excluir as experiências vividas, ela me faz descobrir mundos que se colocam em continuidade com essas experiências e me permite melhor compreendê-las. Não creio ser o único a vê-la assim (...) Ter como professores Shakespeare e Sófocles, Dostoievski e Proust não é tirar proveito de um ensino excepcional? E não se vê que mesmo um futuro médico, para exercer o seu ofício, teria mais a aprender com esses mesmos professores do que com manuais preparatórios para concurso que hoje determinam o seu destino?

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Entrevista com Teolinda Gersão - Dia do Escritor

video

Trechos preferidos I

"Porque ela era tão forte que aguentaria qualquer nota errada ou falsa, tão forte que aguentava repensar o mundo, sem medo de se enganar entre certo, errado e falso? É que tem de haver outro modo de criar o mundo, soube, porque havia de repente uma força subindo, dentro dela, uma fonte inundando por dentro o seu corpo, como água correndo no deserto, descendo até a profundidade cega e funda das raízes. E porque ela era forte e ele era frágil, porque ela era água correndo e ele vazio e pedregoso, ela podia arrastá-lo consigo, soube ainda, caminhando descalça no tapete e descrevendo em volta dele um círculo estreito, cada vez mais estreito, chegaria a um ponto em que ele não se defenderia mais e deixaria para trás o seu mundo como invólucro abandonado. E então ela abriria a janela e deixaria entrar o mar, os monstros, as medusas, as sereias, e seria ela própria monstro, sereia, medusa, abraçando-o com os seus mil braços e levando-o consigo para a profundidade do mar."

Romance "O silêncio" de Teolinda Gersão

Trechos preferidos II

"(...) eu não existo, mundo, não existo, sou apenas uma folha de árvore, uma pena de pássaro, um qualquer objecto leve balançando ao sabor do vento, sem rumo próprio, sem vontade, sem peso, não ajo, não desejo, não tenho finalidade, nada mais quero do que ficar aqui, sem ser agredida, enquanto durar este minuto - mas sempre de novo o mundo rebentava esse instante, sempre de novo recomeçava a luta, e o mundo ganhava , ganhava sempre, contra ela..."

Romance PAISAGEM com mulher e mar o fundo de Teolinda Gersão

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Trechos preferidos III

Acordar de noite e lutar contra o mar. Impor, sobrepor, a minha voz à sua. Acima do seu canto o meu grito, mais alto que a sua música a minha raiva, o meu choro, a minha discordância. Atirar pedras, facas, contra o mar. Fechar contra ele todas as portas e janelas. Contra o seu infinito a minha finitude. Partir o mar como se fosse um espelho.

Romance PAISAGEM com mulher e mar ao fundo de Teolinda Gersão

segunda-feira, 21 de setembro de 2009


Leandro Moura nasceu em São Paulo, Capital em 1976. Graduado em Letras, pós-graduando, atua como professor de línguas e literaturas portuguesa e inglesa, e redação nas redes públicas e particulares. Publicou contos e poemas, neste livro "À espera dos frutos", "Estrela Esperança" e "Paro e Penso".

Literatura Portuguesa Contemporânea


Entre os escritores da Literatura Portuguesa Contemporânea encontra-se Teolinda Gersão, cuja obra dialoga com o período histórico recente de Portugal e com as consequências e valores que se refletem na sociedade. Muito mais do que uma literatura engajada, trata-se de uma busca do ser humano consigo mesmo, da necessidade de atuar no seu mundo, que na verdade, não é um mundo apenas partilhado, mas compartilhado por cada um de nós. Em sua prosa, vai se tecendo uma intensa linguagem poética, que marca e caracteriza a sensibilidade da autora.
A metalinguagem presente no texto não se limita à arte da escrita, mas demonstra como a repetição de um discurso que se move por interesses políticos e econômicos nos conduz ao silêncio.